Quando a vida social te impede de viver.

Resolvi aderir às redes sociais na expectativa de estreitar as relações com algumas pessoas que passaram (e passam) por minha vida no decorrer da minha caminhada. Tinha em mente que essas redes me serviriam como complemento à relação olho no olho. Doce ilusão!

As redes sociais nos leva a, pelo menos, duas situações: a necessidade de mostrar, cada vez mais, o que fazemos/somos/temos/queremos e a querer saber mais sobre a vida do outro. Daí, a pessoa PRECISA de acesso a essas redes no computador de casa e no celular. Porque não pode perder um segundo sequer das “quentinhas” divulgadas por seus amigos virtuais. E isso é viciante. Quanto mais sabemos, mais queremos saber. Logo, menos é feito na “vida real”. Já parou para pensar quantas coisas deixamos de fazer por ficarmos horas e horas conectados?

Uma única pessoa tem contas no Facebook, Instagram, Twitter, Google+… E qual a necessidade disso? Uma única rede social daria conta de todo o recado. Mas, o desejo de exposição també vicia. E, por mais que você não queira, você se expõe. Por mais que você não queira, você está lá conectado todo santo dia e aperta F5 toda hora para saber o que passa no mundo do outro.

E as pessoas se contentam com essa interação virtual e esquecem daquele olho no olho que deveria ocorrer. É preciso que todos compreendam que isso não deve bastar. Não há necessidade de se estar conectado ao mundo digital 24h por dia. Existe vida além disso. E muita solidão por trás das tecnologias. E, as redes sociais até tentam, mas não conseguem tirar o vazio existencial de cada ser.

Mas, ainda bem que elas existem!

Imagine quão complicado seria ter que ligar para mais de 300 pessoas só para dizer que você está indo dormir ou que não se contentou com o placar do jogo do seu time do coração ou, pior ainda, que você repudia o gosto musical da sua vizinha.

Arrisco afirmar que: só quem ainda não aderiu a essa moda é feliz de verdade.

#EuNãoMereço

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Essa não era minha previsão de primeiro post. Segundo, se considerar esse mini-post abaixo.

Pois, bem. Hoje, estava eu linda e serelepe fuçando pela internet curiando a vida alheia, quando me deparei com a seguinte manchete em um jornal: 58% concordam que haveria menos estupros se mulheres “soubessem se comportar melhor”. E pior que isso, grande parte acredita que “mulheres que mostram o corpo MERECEM ser estupradas”. Sim! Eu reli a publicação para ter certeza de que era isso mesmo que estava escrito. Em pleno século XXI, ainda há quem pense assim?

Claro que grande parte dos entrevistados tinham as roupas como principal vilão ou aliado, sei lá, dos estupros. Não é de hoje que roupas dividem opiniões. Há quem concorde com a afirmação ridícula da pesquisa. E há quem discorde. E fico feliz em discordar. Não apenas por ser mulher, mas por – antes de mais nada – ser um ser humano que não julga apenas pelas aparências; por ser alguém que respeita o outro, acima de tudo.

Seguindo a mesma linha de raciocínio (se é que teve alguma) dos respondentes dessa pesquisa, podemos afirmar que: quem ostenta riqueza merece ser assaltado; quem se declara doador de órgãos merece ser dopado e ter um órgão roubado; que a população pobre do mundo merece ser discriminada, dentre tantas outras situações que não cabem ser expostas aqui.

Foi uma afirmação ridícula que merece ser repudiada. O uso de roupas curtas, coladas, decotadas, não é convidativo ao estupro. É por opiniões assim que esse mundo não vai pra frente. A violência existe porque alguém sempre quer se aproveitar de outro alguém. E sabe quando isso vai mudar? Quando o respeito for a palavra de ordem em toda e qualquer situação. As relações humanas estão se perdendo. Só há guerra porque um país não respeita o outro. Só há brigas porque as pessoas não se respeitam.

Sinceramente? O mundo deveria acabar hoje. Porque os seres humanos já deixaram de ser humanos há muito tempo.