Quando se é mãe solo

0 Flares Filament.io 0 Flares ×

Se você conhece uma mãe que não seja casada e que tenha filhos, possivelmente você brada por aí que ela é “mãe solteira”. Mas, como boa amiga que sou, lhe digo: isso deixou de ser uma verdade universal. Você já ouviu falar sobre pai solteiro? Não! O pai é tratado apenas por pai. Por mais que ele não seja casado. Por mais que, de fato, ele seja solteiro. O status de relacionamento não deve acompanhar a expressão “pai” ou “mãe”. Daí, surgiu a expressão: mãe solo. Que é aquela que é a principal responsável pela criação dos filhos (financeira e afetivamente falando). Assim sendo, há muitas mães casadas que são mães solo. E é sobre isso que iremos falar aqui. Afinal, o que fazer quando se é casada, mas a criação dos filhos fica toda sobre seus ombros?

A ideia de que os pais participem efetivamente da criação dos filhos é nova. Por mais que seu pai ou seu avô tenham sido participativos em sua criação ou na de seus pais, essa não foi uma realidade em todos os lares. Antigamente, os pais eram responsáveis por “colocar dinheiro dentro de casa”. E as mães ficavam em casa cuidando dos filhos, elas não trabalhavam.

O que mudou quando a mulher assumiu lugar no mercado de trabalho. Assim, passaram a dividir a criação dos filhos com os homens (vulgo seus maridos). Hoje, é comum ver pais passeando com os filhos, levando-os ao pediatra, trocando fraldas, dando banho, etc.. Coisas essas que são responsabilidade de ambos (pai e mãe), mas que sempre ficou para a mãe.

Acompanho alguns casais no Youtube, que dividem efetivamente a criação dos filhos (Tiago e Gabi, Lu Ferreira e Léo, Flávia Calina e Ricardo). É lindo de se ver. E o que essas mães odeiam é ouvir que elas têm sorte porque os pais as ajudam com os filhos. E batem o pé, gritam aos quatro ventos: “ele não me ajuda! Ele tem tanta obrigação quanto eu. Afinal, ele é o pai”. Sim, minha amiga. Isso é fato: a obrigação é dos dois. E um outro fato é: você tem sorte, sim. Porque essa não é a realidade em muitas casas. Que bom que você encontrou um cara parceiro de verdade; que bom que seu marido resolveu vestir a camisa de pai e criar o próprio filho. Que bom. Uma pitada de inveja surge do coraçãozinho de muitas mãezinhas que te assistem.

Alguns pais não querem, não gostam e não irão participar da rotina dos filhos. Alguns pais não passarão de meras visitas que moram na sua casa. Eles pegarão os bebês por 5min e logo darão um jeito de devolvê-los às mães. “Porque ele quer peito”. Quase sempre é essa a justificativa. E ter peito, nesse momento, é muito ruim. Porque isso vai ser desculpa pra ele não cuidar do “seu filho”. Sim! Do nada, o filho passa a ser “seu”. E não “nosso”. Se você for sair, por mais que ele saiba que será rapidinho, ele vai dizer: “leva seu filho”. Se ele acabou de pegar o bebê e o bebê chorar: “vem pegar seu filho”. E ele vai virar a cara quando você pedir pra ele cuidar do pequeno. Ele não vai acordar na madrugada pra acalentar o baby chorando. Ao contrário, ele vai virar de lado e voltar a dormir (isso SE ele acordar com o choro). Vocês vão dormir juntos, por volta das 22hs. O bebê também dorme encantadoramente. Às 9hs, ele sai pra trabalhar e você continua dormindo. E ele pensa: “Sortuda! Ainda está dormindo”. Mas, ele não sabe quantas vezes o bebê acordou na madrugada.

Já ouviu falar no “pai de selfie”? Então.

Prefira ser uma mãe solo solteira. Porque ser mãe solo casada não é bacana. Você terá mais uma pessoa de quem cuidar: o marido (não basta o bebê, a casa, a roupa, a comida). Fora que você sempre fica na expectativa de que ele chegue do trabalho disposto a assumir o papel que o cabe. De que ele se disponibilize a “te ajudar”. Mas, isso não vai acontecer. Porque ele tá cansado. Você, mãe, não tá. Você passa o dia inteiro em casa. Ele é que sai pra trabalhar. Não reclame de barriga cheia. Não queira que ele tome para si mais uma responsabilidade. Não queira que ele crie vínculo com seu filho. Não queira que ele seja “pai”.

É pedir demais.

Você também vai gostar de

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *